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A BAIXA PRODUTIVIDADE DE NOSSAS UNIVERSIDADES

Por: Pierre Lucena (*)

Fonte: Acerto de Contas de 31.07.2012

Domingo passado o jornalista Elio Gaspari divulgou um indicador sobre a relação aluno/professor das universidades federais.

A nota dizia o seguinte:NOTA RUIM
Os reitores das universidades federais estão com nota baixa. Em 2005 eles fizeram um
pacto com o governo. Receberiam investimentos (R$ 9 bilhões entre 2008 e 2012) e
modernizariam as escolas. Nas contrapartidas estava a redução da relação professor/
alunos. Havia nove estudantes para cada professor, e a relação subiria para 15, até 2012.
(Na Alemanha ela é de 34 x 1; nos Estados Unidos, 25 x 1; e na França 24 x 1.)
Melhorou, mas está em 12 alunos para cada mestre. Os sindicalistas levaram o governo
a recuar da exigência de 12 horas semanais de aulas para cada professor. Manteve-se o
regime de oito horas.
Resumindo: nossos indicadores de eficiência estariam baixíssimos, segundo estes
dados. Não me surpreende esta baixa relação, quando comparada a outros países.
Apesar de não saber de onde estes dados teriam sido tirados.
Para começar, não é fácil analisarmos estes dados nas universidades, em função da
heterogeneidade das áreas, mas mesmo assim preocupa bastante.
Na UFPE, temos em torno de 2150 professores e 32000 alunos. Isso dá 14,88 alunos
por professor. Perto do que solicita o MEC (15 alunos por professor), mas muito longe
de padrões internacionais.
Peculiaridades de nossas universidades precisam ser levadas em consideração neste
debate.
Vamos por pontos.
1.Cursos com baixíssima demanda e/ou altíssima evasão
Isso acontece em alguns casos. Mas muitos são cursos importantes para a economia (ou
sociedade), mas que pela baixa demanda não interessam às faculdades privadas. Cursos
como geologia, enegenharia de pesca ou engenharia florestal. Estes são exemplos de
cursos pequenos no quantitativo de alunos, mas que precisam ser oferecidos pelas
universidades federais.
O problema está na formatação de novos cursos pelo Reuni. No caso da UFPE optou-se
por abrir alguns cursos novos de baixíssima empregabilidade e muito focados, o que foi
um equívoco, pois seria muito mais fácil abrir vagas em cursos já existentes. Mas a
forma atabalhoada com que as reitorias fizeram essa abertura de cursos levou a isso.
2.Ausência de professores horistas.
Há uma ideia equivocada de que todos os professores precisam ser dedicação exclusiva.
Muitas áreas exigem professor com perfil profissional, como o caso de Direito, Administração, Contábeis, etc. Dedicação exclusiva deve ser para professor que atua na
pós-graduação e/ou faz pesquisa. O que acaba acontecendo é que, ao absorver um
professor DE fora deste perfil acaba por enfiá-lo na burocracia das Universidades. Neste
caso, há um enorme contingente de professores apenas em cargos administrativos,
porque estes não têm perfil de pesquisador.
3.Participação de grande parte dos professores na pós-graduação.
Isso faz com que a media de alunos por professor caia, mas a pós-graduação é que faz
com que nossas federais sejam melhores que as privadas. E essa queda na media é
totalmente justificada por isso, já que não há sentido em termos uma turma de
doutorado com dezenas de alunos.
4.Burocracia enorme.
Você pode se perguntar como isso afeta na quantidade de alunos por professor. Mas a
relação é direta.
Um professor em DE precisa dar 4 turmas. Ao fazer pesquisa isso cai para 2 turmas. Se
estiver em cargo administrativo vai para 1 turma.
Quando uma instituição opta por inchar sua máquina de cargos comissionados, como a
UFPE que aumentou uma pró-reitoria, você tira professores da sala de aula. Isso
inevitavelmente piora o indicador.
Cargo administrativo deveria ser exercido pro técnico-administrativo. A exceção seria
apenas em cargos acadêmicos.
5.Não cumprimento da carga horária.
O regulamento diz que o professor em 40 horas deve dar 4 turmas, quando não tem
direito a redução por pesquisa, mas na prática é difícil encontrar esta situação. Na
grande parte dos casos o professor dá 3 turmas. Bastaria a Reitoria e o MEC centralizar
isso via sistema para corrigir.
6.Pesquisas Mandrake.
Este é o calo da produtividade das universidades. A regra diz que os departamentos é
que deverão aprovar os projetos de pesquisa, mas muitos deles não controla isto. No
meu departamento, é preciso ter pesquisa aprovada por órgão de fomento, o que já
organiza esta dispensa de carga horária. Mas é uma exceção.
No fundo o argumento da liberdade para os departamentos decidirem acaba virando um
álibi para o corporativismo dos professores.
Bastaria criar uma regra para organizar isso, com critérios mais claros e fiscalização
mais rígida.
O resultado das pesquisas Mandrake é que não temos resultado algum.
7.Não reconhecimento do bom professorO bom profissional de uma universidade é aquele que cumpre seus horários de aula,
motiva os estudantes ao dar boas aulas. É também aquele que consegue ter inserção
social, seja através de resultados efetivos de pesquisa ou com voz ativa na sociedade.
Não é raro encontrar professores encostados, que descontam sua baixa autoestima nos
estudantes e tecnicos, seja não dando suas aulas (mandando alunos de mestrado) ou não
produzindo nada.
No fundo, até hoje não conseguiram uma forma de avaliação de contemplasse vários
aspectos. Mede-se tudo apenas pelos  Pontinhos Qualis , o que é um erro.
Isso apenas dá margem ao corporativismo extremo de colegas, já que no fundo o
encostado representa um voto nas eleições departamentais.
Como visto, este pontos servem para o início do debate sobre a baixa produtividade
(neste indicador) das instituições.
Outros indicadores devem ser levados em consideração na produtividade, mas este
serve apenas para iniciar o debate, já que é o mais visível.
Mas sempre lembrando, a responsabilidade disso é de quem dirige.

(*) Doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco.

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