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O MEC E A UNIVERSIDADE PÚBLICA

Por Luis Nassif

Em uma época em que a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação tecnológica são elementos fundamentais na competitividade entre nações,é imperdoável a maneira como a questão da Universidade publica foi tratada nos últimos anos. Nesse período o MEC elegeu como prioridade …única o ensino fundamental. Mas o trabalho de formação de uma nação não pode ser feito em cima de prioridades únicas – tem de ser um todo integrado, equilibrado, com todas as frentes se desenvolvendo simultaneamente. E o papel da Universidade publica é fundamental. Em vez disco, criou-se um falso conflito entre o ensino básico e o de terceiro nível. Pior: tomaram-se vícios do velho modelo acadêmico como desculpa para, em lugar de mudar ou aprimorar o modelo simplesmente varre os problemas para debaixo do tapete.

O que se tem hoje é a Universidade publica ainda tendo a maior massa critica de conhecimento do país, mas indo para o vinagre, e uma profusão de Universidades privadas com pouquíssimo interesse em melhorar seu nível de ensino. Não é simples mudar a Universidade pública. É trabalho de estadista, de gente grande, mas o MEC fugiu desse desafio.

Nas ultimas década, o ambiente universitário foi dominado por um corporativismo dos mais pesado, consolidado pela estrutura departamental que criou feudos intocáveis no âmbito de cada Universidade. Não é fácil enfrentar esse jogo. Eu sei o que é isso, a partir das sucessivas polemicas nas quais me meti com diversas Universidades. Nessa área o debate é pesado prenhe de acusações morais, patrulhamentos. Há que ter ficado para manter a colher nesse tema. Ao mesmo tempo, foi possível perceber o aparecimento de uma nova mentalidade de novas gerações de professores e de pesquisadores empenhados em trabalhar e conseguir resultados.

Houve mudança nos paradigmas da pesquisa cientifica. A guerra conceitual acabou: com raras exceções, sabe-se que Universidade tem de formar pesquisadores e que pesquisas devem objetivar resultados concretos para a economia. Mas todo esse processo se deu ao largo da Universidade publicas. Toda essa geração de PhDs, formadas ao longo dos últimos anos com muito esforço de sua parte e muito recurso publico está sendo desperdiçada porque não se ousou avançar na busca de um modelo eficaz, justamente para não despertar as forças do corporativismo. Preferiu-se matar pouco a pouco a Universidade publica. Nesse período houve proposta importantes de mudanças na Universidade publica. A Universidade Federal de MG (UFMG), sob um reitor moderno, propôs experimentar um modelo de autonomia administrativa.

Tempos depois, a SBPC apresentou um modelo inovador e eficaz de autonomia universitária amarrada a indicadores de avaliação.
Nada disso prosperou no âmbito do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e do MEC. Da parte do conselho, porque qualquer forma de autonomia obrigaria os reitores a buscar resultados e acabaria com o álibi da transferência de responsabilidades.

Da parte do MEC, para não se expor ao tiroteio do corporativismo.

O resultado desse ”movimento dos sem vontade” está à vista de dados: a Universidade publica caindo aos pedaços, sendo destruída pela inação, por falta de uma política de recursos humanos e de implementação da meritocracia. E toda tentativa de criar políticas de pesquisa se fazendo ao largo da estrutura formal da Universidade.

USP – Seria importante que, nas próximas eleições para reitor da USP, a maior Universidade publica brasileira deixasse de lado embates corporativistas e obrigasse os candidates a definir novos modelos de gestão que salvassem a USP da mediocrização.


Onde Publicou: (Folha de SP, 13/10)

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