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AS TRANSFORMAÇÕES DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL E NO MUNDO

Por Elizabeth Balbachevsky*


Em todo o mundo, o ensino superior e a profissão acadêmica têm apresentado fortes mudanças nas últimas décadas. Segundo a cientista política Elizabeth Balbachevsky, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, no Brasil, essas …
mudanças são constatáveis em aspectos como: o forte crescimento da população estudantil, que permanece em descompasso com o crescimento mais lento das instituições; as limitações orçamentárias, freqüentemente associadas a pressões para a ampliação do controle e burocratização dos sistemas de avaliação; as novas tecnologias de informação, que ampliam os processos de internacionalização e mudam o processo de produção do conhecimento.

Essas mudanças serão discutidas na conferência “As Transformações Recentes do Ensino Superior”, que Balbachevsky fará no dia 30 de abril (quarta-feira), às 10h, no Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA. O evento integra o Ciclo “Formação Universitária: como Preparar o Brasil para o Futuro?”. Os debatedores do encontro serão Eunice Durham (Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP) e Renato Pedrosa (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp). (Mais informações podem ser obtidas com Cláudia Regina (clauregi@usp.br), telefone (11) 3091-1686. Quem não puder comparecer poderá assistir ao evento pela internet em http://www.iea.usp.br/aovivo.)

PESQUISA

Na palestra, Balbachevsky apresentará alguns resultados preliminares da pesquisa “Evolução Recente da Profissão Acadêmica no Brasil: uma Análise Comparada”, trabalho apoiado pela Fapesp e que viabilizou a participação brasileira no projeto “The Shifting Boundaries of the Changing Academic Profession” (Projeto CAP, As Fronteiras em Mudança da Profissão Acadêmica), que está sendo realizado por uma rede de instituições acadêmicas em 20 países.

O CAP pretende examinar a natureza e a extensão das mudanças ocorridas na profissão acadêmica nos anos recentes, suas razões e conseqüências. Serão estudadas as implicações dessas mudanças para a atratividade da atividade acadêmica como carreira e a capacidade da comunidade acadêmica de contribuir para o desenvolvimento econômico, social e cultural de cada país. A partir de um modelo de transformação de seis estágios (leia abaixo), serão feitas comparações sobre esses temas entre diferentes sistemas educacionais, tipos institucionais, disciplinas acadêmicas e gerações.

Balbachevsky ressalta que participar desse projeto representa uma rara oportunidade para o estudo, numa perspectiva comparada, do sentido das mudanças que estão ocorrendo no sistema de ensino superior brasileiro: “Os resultados da pesquisa em escala mundial permitirão, pela primeira vez, avaliar em que medida as mudanças observadas no Brasil convergem ou divergem daquelas que podem ser observadas nas experiências de outros países.”

PROJETO CAP — OS SEIS ESTÁGIOS DO MODELO DE TRANSFORMAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

  1. Principais influências: as estruturas e ideologias associadas à sociedade do conhecimento intensificando os processos de “comodificação”, internacionalização, expansão e diferenciação da educação superior;

  2. Condições: fatores como infra-estruturas, salários, diversidade institucional, formas de contrato, hierarquias (antigas e novas) e questões associadas a recursos, incluindo a pluralidade de fontes e a ênfase na recuperação de custos e na contribuição financeira das unidades acadêmicas;

  3. Crenças: incluindo lealdades e identidades, motivações intrínsecas e instrumentais, aspirações de carreira e orientações individuais e coletivas;

  4. Papéis e práticas: incluindo o nexo ensino/pesquisa, a importância do serviço público, novas divisões do trabalho entre atividades acadêmicas e administrativas e o desenvolvimento de novos quadros de gestores profissionais;

  5. Conseqüências: incluindo a eventual perda da solidariedade acadêmica, debilitamento ou desaparecimento de hierarquias tradicionais, mudanças de controles internos para controles externos, mudança do trabalho individual para o trabalho coletivo, aumento de produtividade e esmaecimento das fronteiras entre instituições universitárias e entre elas e outras organizações da sociedade.

  6. Resultados: em que medida esses fatores conduzem a uma comunidade acadêmica social mais responsável, ou mais desestruturada, ou mais diferenciada.

*Elizabeth Balbachevsky – é professora associada do Departamento de Ciência Política da FFLCH/USP

Publicado Por: (Contato, Boletim do IEA/USP — nº 114)

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