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CONSELHO DE REITORES DAS UNIVERSIDADES PAULISTAS

Por Elcio Abdalla*

Nos últimos dias o Governo do Estado de São Paulo decidiu que o CRUESP (Conselho de Reitores) seria …gerido mais diretamente pelo poder executivo. Alguns colegas comentaram que seria uma intervenção indevida no funcionamento das Universidades. Nada mais correto, não fosse a monumental incompetência de muitos de nossos professores universitários, meus colegas. Na Universidade de São Paulo, somos, em grande maioria, contratados pelo Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP). Isto garante a excelência do professor, que além de suas atividades didáticas diretas, ou seja, suas aulas, gere pesquisas de estudantes de pós graduação, auxiliares de pesquisa (pós doutores), gere sua própria pesquisa, tem atividades de extensão e cultura, além de participar da gerência da universidade, de bancas de concursos, prestação de serviços gratuitos à comunidade, produção de conhecimentos, entre outras. Nada mais correto em uma grande universidade.

No entanto, uma parcela significativa de nossos docentes dá suas aulas e … nada mais! Uma afronta para um país que necessita de quadros competentes e ativos. Esta terça parte de inativos poderia e deveria ser transferida para o quadro dos docentes contratados em regimes mais tênues, o Turno Completo (20 horas semanais) ou Tempo Parcial (12 horas). No entanto, como parte do igualitarismo vigente, os sindicalistas de plantão se negam a uma avaliação dos membros docentes, e o que ocorre é que, membros altamente competentes, com publicações científicas importantes, prêmios internacionais, orientações variadas contribuindo para o desenvolvimento nacional, convivem com os incompetentes e preguiçosos de plantão, que, bem pagos, têm todo o tempo a seu dispor para a “política do momento”, terminando por vezes em tentar “dar as ordens” aos colegas que trabalham

Mais recentemente o sindicalismo está por trás de outra tentativa de golpe. Propõe a abertura da carreira, de modo que qualquer professor atinja o ápice (professor titular). É proposta da figura do professor pleno. Isto significará, para a universidade de São Paulo, um prêmio ainda maior à incompetência, além de um desembolso extra para os cofres públicos, já que, por detraz desta manobra, está um novo aumento da folha de pagamentos, só para os incompetentes, é claro. As questões cruciais da Universidade não param por aí. Há um evidente aparelhamento político das comissões, sempre visando uma fatia do poder central, de modo que o mérito, parte essencial do funcionamento de uma universidade, se vê mitigado a condição nenhuma. Sem avaliação, o mau professor só se interessa pela manutenção de seu status e em seu salário. Uma posição a mais significa apenas um poder a mais, quiçá um pequeno aumento na forma de um adicional.

Freqüentemente se esquecem, alguns colegas e maus estudantes que a Universidade nada mais é que uma meritocracia. O estado deve ser democrático, mas a Universidade procura a verdade, que não se consubstancia pelo voto. Planck descobriu a Mecânica Quântica. Se houvesse na época uma .discussão paritária. a descoberta teria sido talvez jogada na lata do lixo. Hoje, a terça parte do PIB americano se baseia nesta singular descoberta científica … Mas os problemas da Universidade não param por aí, e seria necessário um livro para transcrevê-los. Pressões, encapuzados e rasteiras são lugares comuns. Por isto é que muitos de nossos colegas se vêem enfeitiçados quando se lhes apresentam universidades milenares, como Oxford ou Cambridge, onde não é necessário que se diga o óbvio.

É por esta razão que vejo uma intervenção como muito natural, desde que sirva para interromper os processos viciosos que têm sido observados na universidade pública paulista e que não têm sido devidamente enfrentados desde a implementação da autonomia universitária. Esperamos que um dia se possa dizer que somos adultos, também na Universidade. Então poderemos gerir nosso próprio patrimônio, que está longe de ser pequeno

*Elcio Abdalla (Professor Titular Chefe do Departamento de Física Matemática – IF/USP)

Onde publicou este texto: ( Sociedade Brasileira de Física Boletim[001/2007])

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